«Amiga, és o máximo!»

"Certo dia a menina encontrou ... uma amiga! Uma amiga bonita e divertida, com um sorriso que era como o nascer do Sol. E as duas corriam e brincavam e riam e choravam e partilhavam segredos e falavam de tudo. Lagartos, pais e mães, o macarrão surpresa do almoço na escola, livros, rapazes, arrotos. Tudo. E abraçavam-se sempre que lhes apetecia.
A menina estava encantada. «O que faria sem ti?» exclamou. «Vais ser minha amiga para sempre?». A outra menina sorriu o seu sorriso que era como o nascer do Sol. «Claro que sim! Amiga, és o máximo!».(...)
(...)As duas meninas passaram dias e semanas e meses e anos juntas. Saíam e ouviam música. Partilhavam roupa e sanduíches e iam ao centro comercial e ao cinema, e celebravam sempre os seus aniversários. Conversavam sobre vegetarianismo e sapatos e discutiam se os anjos tinham ou não tinham asas.(...)
(...)E de vez em quando, especialmente naquele dia em que enviara mais trinta currículos e pensava por que razão tinha nascido, chegavam aquelas palavras deliciosas: «Amiga, és o máximo!» e a menina voltava a acreditar em si mesma.(...)
Passado algum tempo, a menina conheceu um homem de quem gostava e casaram um com o outro. Mas ao fim de uns anos separaram-se. A menina recebeu um cartão da amiga que dizia: «O palerma nem imagina o que está a perder. Ah, Amiga és o máximo»(...)

(...) às vezes - quando a menina e a amiga comparavam teorias sobre o treino de ir à casa de banho, e trocavam artigos sobre o acompanhamento do sindroma da bipolaridade, ou os prós e contras de fazer uma cirurgia reconstrutiva após uma mastectomia -, chegava a mensagem mágica: «Amiga, és o máximo!» (...)
(...)A menina envelheceu. E com ela a amiga também. Faziam compras na Baixa, e iam lanchar juntas e finalmente encontraram-se no lar, e discutiam dosagens, conversavam sobre varizes, mostravam uma á outra as fotografias mais recentes dos bisnetos e consolavam-se uma à outra durante as semanas em que ninguém aparecia ou telefonava, ou quando as dores pioravam. Partilhavam camisolas e de vez em quando uma delas gritava ao ouvido da outra «Amiga, és o máximo!»

Depois de ter sido velha durante algum tempo, a menina morreu e, assim que saíu do túnel escuro para a luz, disse: «Oh agora vou poder ver um anjo»
Uma voz sonora fez estremecer os céus.
«Tu já viste um anjo, querida! Tiveste uma Amiga»
A menina ficou sem palavras ao ver uma cara conhecida tomar forma numa nuvem próxima, uma cara com um sorriso que era como o nascer do Sol (...)"

(textos retirados do livro 'Amiga és o máximo' de Carol Lynn Pearson, com ilustrações de Kathleen Peterson)

2 Comments:
Não sabia que essa tal de Carol era tua conhecida, para lhe teres contado a história da nossa vida que ela depois tão bem reproduziu no livro.
Obrigada Amiga, continuas a ser o máximo!
Acho que nenhuma de nós conseguiria descrever tão bem a nossa amizade, como ela o fez. Adorou quando lhe disse: fala de mim e da minha amiga que tem o sorriso como o nascer do Sol....
Amiga, sempre foste, ainda és e sempre serás a ser o máximo.
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