quarta-feira, junho 06, 2007

"Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar..."

Como já todos sabem, o bridge é um dos meus vícios e na falta de companheiros/as para jogar ao vivo e a cores, não me restou outra solução que ir para a Net, para que não perdesse o jeitinho, e para que não tivesse algum problema de maior, porque isto de acabar com um vício assim de repente até pode fazer mal.
Já lá vão uns anitos, desde a ultima vez que voltei a estas lides, já perfazem perto de 3 anitos que à noite lá estou com o meu nick FunnyGirl, na sala Garden com outros companheiros de vício. Uma noites são proveitosas no saldo a favor de vitórias, outras nem por isso, mas sempre e isso é ponto assente, com muito divertimento. Quando falta o divertimento, isso aí é quando a Fg se zanga (coisa rara, raríssima até, contrariamente ao que acontece com certas pessoas... bem mas não falemos disso :) ). Só para quem ainda não perceba muito bem disto, o bridge é um jogo de cartas que se joga a pares. Ter um bom jogo (Boa mão como se diz na gíria bridgeana) e um bom parceiro (parceiro é o nosso par, aquele ou aquela que joga connosco) são condições favoráveis para um bom resultado final.
Há até quem faça comparações deste jogo com o quotidiano. Para Woody Allen “Sexo é como jogar bridge: se não se tem um bom parceiro o melhor é ter uma boa mão.”.
Mas não foi por falta de bom parceiro, ou de boas mãos (estou a falar do bridge ok?) que decidi aventurar-me por experiências novas. Experimentei o Xadrez (!!!!!).
Aqui não há lugar a “orgasmos bridgeanos”, não há parceiros nem boas mãos....
Estamos à nossa mercê e em termos do que é necessário para jogar é muito mais democrático, começamos ambos com as mesmas peças, colocadas da mesma forma num tabuleiro que é partilhado por ambos os jogadores.
Democrático só para os jogadores, pois quanto à dinâmica do jogo, continua a existir a diferença de classes. Os peões (o Zé Povinho) estão representados por peças pequeninas, e são as que existem em maior número. Posicionam-se à frente da Casa Real, da Nobreza e do Clero. Pela Casa Real jogam o Rei e a Rainha. A finalidade do jogo é comer o Rei (que mal se mexe, pois anda de quadradinho em quadradinho de cada vez) o que já não acontece com a Rainha. Essa movimenta-se pelo tabuleiro todo a seu belo prazer e é a personagem principal da trama. Contrariando as convicções fundamentalistas do país a que se atribui o nascimento do xadrez (antiga Pérsia, hoje Irão) é à única mulher existente naquele tabuleiro que lhe é conferido o máximo dos poderes. Deve ter sido uma mulher quem inventou este tal do xadrez. Depois está claro, vem o Clero representado pelos Bispos, e aqui tal como nos nossos dias não são frontais, deslizam na diagonal, interferem na gestão política da trama, investem no território opositor como se as Cruzadas ainda estivessem em vigor. Os Cavaleiros (que na maioria dos tabuleiros ficam em casa e mandam só os cavalos) têm como missão defender a Casa Real e o Clero. Movimentam-se de uma forma estranha, faz lembrar a nossa tourada. Investe contra o toiro e depois pira-se para o lado ... no xadrez é a mesma coisa. As torres, que são as duas pecinhas que ficam nas pontas do tabuleiro, servem para o rei se refugiar. Num movimento a que lhe chamam Roque (o tradutor não devia saber escrever Rock e vai daí ficou como o apelido do Zé, que por sinal joga bridge e não xadrez). O movimento das ditas de roqueiras não têm nada, pois a única que dança pelo tabuleiro todo é a senhora Rainha.
Finalidade do jogo: fazer Xeque-mate ao Rei. “Comer” o Rei como se diz na gíria do xadrez. Para se “comer” o Rei, temos antes que “comer” todas as outras pecinhas que pela frente se vão apresentado, e aí “come-se” povo, bispo, Cavalo, Rainha.
Quanto a mim esta gíria deve ter sido inventada por alguém do Biafra.... Sim porque se vamos comparar o xadrez com o quotidiano, tal como fez Woody Allen, então eu digo que “se Sexo é como jogar Bridge”, jogar xadrez é como ir a Sodoma e Gomorra....
Assim, contra tudo e todos decidi que o xadrez seria o meu próximo vício virtual (eu disse virtual) e independentemente de me contra-argumentarem que não era tão wild como o bridge, que não era tão divertido, etc etc, estava decidida a aprender a jogar xadrez e a transformar aquele joguinho em loucura total.

To be continued...

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Oh! Meu Deus!
Para quem pensava que o bridge era um jogo de cartas para velhas inglesas enfrascadas em Gin; e só depois de saber que tu o jogavas é que (apesar de nem saber jogar à bisca) acreditou que TINHA DE SER um jogo divertido... stop!
Os tabuleiros do xadrez continuam a ser aos quadrados pretos e brancos, ou já são verdes e rosa? amarelos e azuis?
Os cavalos dão coices quando comem um peão? E os peões são todos iguais ou já há machos, fêmeas e gays e quando eles se comem uns aos outros acende uma bolinha vermelha no canto superior esquerdo do tabuleiro? (continua)

13/6/07 20:41  
Anonymous Anónimo said...

Os Bispos converteram-se à IURD e falam "braseleiro"; as Torres são de Babel com 1 Brad Pitt cada; O Rei "vai nú" e a Rainha é da escola de Samba da Mangueira.
Assim... acredito que te divirtas!!!!
Mas aguardo para saber!

13/6/07 21:00  
Anonymous Anónimo said...

lol lol lol
quando escrevi isto, ou melhor quando o publiquei até tremi... isto porque já estava à espera de uma pergunta tua ...lol
graças a deus passou-te ao lado... lol
e acredita que é tal e qual assim como dizes. Com excepção da Rainha, que é uma ganda maluca e diverte-se muito mais que os outros. Não anda cá em sambas... mas não resiste a um Rei nú nem ao Brad Pitt lololol

14/6/07 00:51  

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