Depois de ter encontrado aquela foto, bateu a saudade, e recordei com carinho todos os momentos que ao teu lado passei. Foram todos bons, porque tinhas o condão de tornar os maus momentos em bons momentos. Foste o Avô que todos sonham ter, e eu tive. Eu tive esse sonho de Avô.
Contigo aprendi tanta coisa, e todas elas sempre transmitidas com o maior carinho que sempre te caracterizou.
Aprendi o que era o Amor. Amaste a tua Juju, durante 50 anos, como mais ninguém a amou, e sempre como fosse o primeiro dia desse Amor. E nem por isso esgotaste tudo com ela, também o distribuiste em doses maciças à restante prol, e eu fui uma delas. "A tua neta mais....."
Recordo com saudade as histórias que me contavas para adormecer, as nossas idas ao Grandella só para andar nas escadas rolantes, os passeios pelo Jardim do Ultramar que acabavam sempre num lanche delicioso, as brincadeiras no quintal em que fingias levar horas para me encontrares (quando eu estava mesmo ali), as histórias sobre os selos que coleccionavas (e que me deixaste como recordação, entre outras coisas), e especialmente aquele dia da foto. O dia que celebravas os 50 anos de casado com a tua Juju, em que fui por ti escolhida como menina das alianças, que te acompanhei de braço dado até ao altar, e depois da cerimónia a foto, a qual mereceu os comentários "Claro, o avô e a sua neta querida, parecem dois apaixonados!". E estávamos, não era? Estávamos como sempre estivemos apaixonados um pelo outro. Hoje recordo tudo isso com uma saudade imensa.
Um dia ouvi algures, que as estrelas que estão no céu são as almas dos nossos antepassados, a velarem por nós.
Tu és sem dúvida a minha estrelinha, a que mais brilha para mim (ou talvez sejam os meus olhos que assim a vêem!) e sei que estarás lá sempre a iluminar-me.